A conetividade dos ascensores é uma realidade do presente com grande potencial para um futuro mais seguro e mais eficaz.
Futuro e princípios gerais
Idealmente um ascensor totalmente conectado, seria aquele em que ao detetar a falha de uma linha ou de um contacto, informaria uma central de avarias. Essa informação especifica da avaria em causa, permitiria que o técnico se dirigisse ao local, preferencialmente com o componente e com a ferramenta necessária para solucionar o problema, preferencialmente, antes de que o Cliente ele próprio se tivesse apercebido que o equipamento estava avariado.
Se teorizarmos um pouco sobre esta afirmação acima, facilmente entendemos que caso o componente não esteja em stock, não vale a pena realizar a deslocação, e se o componente tiver um custo que o proprietário tem de aprovar antecipadamente, também não vale a pena realizar a deslocação. Neste sentido, percebe-se que o sistema será ainda mais eficaz se para além do ascensor estar conectado, também a empresa esteja conectada.
A empresa conectada significa que na empresa tem de existir um sistema capaz de receber a informação do ascensor e tratar a mesma, avaliando de forma automática se tem ou não o componente em stock e realizando automaticamente a encomenda, ou alertando um utilizador que terá de a autorizar. O sistema deveria de ser capaz de criar e enviar automaticamente a proposta ao cliente. O Cliente por sua vez, devia de poder entrar na sua área de utilizador e adjudicar a mesma, o que por sua vez resultaria na encomenda automática do componente ao fornecedor. Ao chegar o componente, um distribuidor poderia entregar o mesmo na carrinha do técnico durante o período noturno e pela manhã o técnico poderia então deslocar-se ao local para colocar o mesmo, fechar o serviço de forma eletrónica, o que resultaria na emissão da fatura eletrónica por e-mail para o cliente.
Pelo meio de tudo isto, o técnico comercial teria tido tempo para estar mais próximo do cliente, esclarecendo o mesmo acerca da necessidade do componente em causa, em vez de estar mergulhado em tarefas administrativas. Teríamos poupado diversas deslocações desnecessárias do técnico e melhorado substancialmente a produtividade da empresa.
A isto podemos somar que da quantidade de dados que o ascensor pode enviar à empresa, é possível criar a longo prazo uma previsão bastante fidedigna de qual ou quais são os componentes que necessitamos de ter em stock, para um determinado modelo de ascensor ao final de “n” viagens, ciclos, distância percorrida, entre outros… – O que chamamos normalmente de manutenção preditiva. Com isto podemos otimizar ainda mais a gestão de stock e os processos de que falávamos anteriormente.
Podemos ainda saber o nível do óleo, o nível de iluminação, o desgaste de um cabo, ou se o óleo necessita de ser trocado, dependendo da quantidade de sensores e do tipo que queiramos adicionar a um ascensor. Um técnico especialista pode ligar-se ao VVVF, através do telemóvel, para o programar de forma remota. (Recordo-me que há uns anos era impensável que um automóvel tivesse um computador de bordo que informa acerca da pressão dos pneus ou que liga para o SOS para informar do acidente dando a localização do automóvel pelo GPS, utilizando um GSM, e ainda “falando” connosco através do sintetizador de voz para nos ir informando).
Pela análise simples e linear do processo que se descreve, podemos entender facilmente que do lado da(s) empresa(s) ainda estamos longe deste tipo de soluções, apesar de sabermos que é para lá que caminhamos e que tal seria perfeitamente exequível com a tecnologia atual, exceto do lado do ascensor que ainda não está preparado para tal, com o obstáculo de que a maioria dos ascensores existentes tem uma tecnologia obsoleta para este fim.
Para que tal aconteça teríamos do lado do ascensor que monitorizar qualquer linha, contacto, componente, número de viagens, ciclos, distância percorrida, entre outros. Teríamos de igual modo de enviar toda essa informação à empresa e tratá-la automaticamente.
Percebe-se, pois, que o ascensor ainda não dispõe deste nível de controlo e que a sua comunicação com a empresa, ainda não chegou a este ponto.
Percebe-se também que o meio de comunicação por excelência seria a ligação do ascensor à rede em tempo real. Para poupar custos, esta ligação e a parte relacionada com o sistema de transmissão, pode ser perfeitamente partilhada com um sistema de comunicação Bidirecional, por exemplo os sistemas GSM 3G AS0360 e os IP TAU da Amphitech, podem associar as funcionalidades de Tele-alarme com portas “transparentes” que deixam passar a informação do ascensor sem necessidade de conhecer qualquer protocolo da manobra.
Com a evolução para o 5G para breve, podemos perceber que em pouco tempo será possível enviar todos estes dados do ascensor em tempo real, assim como publicidade à medida do perfil de cada utilizador ou atender a chamada de emergência com vídeo.
Com a monitorização que o ascensor termina por fazer a si próprio para o objetivo que mencionamos, este termina por ser mais seguro, porque em cada momento estará a “vigiar” o funcionamento de cada um dos seus dispositivos de segurança. Com esta monitorização existem atividades de manutenção que se tornam dispensáveis ou menos frequentes, o que permite ao técnico passar menos tempo na instalação ou despender o tempo que tem para realizar ações de manutenção efetivas e realmente preventivas. Estou certo de que em breve, poderemos assistir a ascensores e empresas a funcionar desta forma.
Ricardo Vieira
Elevadores.com.pt – Consultores de elevadores
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